Por Daniel Brandão

História em quadrinhos (HQ) é uma mídia cujo código narrativo deve ser um amálgama indissolúvel entre texto e imagem. Portanto, o ideal seria que o roteiro e o desenho se entrelaçassem de uma maneira harmônica. Para isso, tenho que me render ao óbvio e afirmar que HQs devem ser feitas para se contar algo, sendo mais claro e um tanto quanto redundante, para se contar uma HISTÓRIA.
É inevitável que o desenhista esteja à serviço da história, afinal de contas, o trabalho dele é construí-la, desenvolvê-la e decupá-la. Porém, infelizmente, pelo que se vê por aí, nem todo desenhista coloca o seu talento, sua técnica e sua virtuose à serviço da história. Muitos profissionais da área de quadrinhos, de maneira egóica, colocam a sua arte acima do que deveria estar sendo contado. Acima do texto, desequilibrando a balança da produção, negligenciando, muitas vezes, a clareza e a fluidez narrativa. Acima do objetivo essencial da mídia, esses profissionais investem em um “efeito pavão”, aproveitando-se do espaço das páginas para mostrar ao mundo o quão bela e rebuscada é a sua arte.
Para mim, eles não são quadrinistas. São desenhistas (ilustradores) que fazem – ou tentam fazer – quadrinhos.
Para eu chamar um desenhista de quadrinista, acredito que, antes de tudo, ele deva ter um conhecimento holístico da mídia. É importante entender de narratologia, roteiro, letreiramento, composição de páginas e, principalmente, narrativa.
Se o desenhista entende de narratologia, ele vai construir personagens com os devidos estereótipos do herói, do mentor, do pícaro, do sombra, dentre outros. Além disso, ele reconhecerá facilmente os pontos de virada da história, podendo assim utilizar-se da técnica de virada de página para prender a atenção do leitor com mais eficiência. Através do conhecimento da narratologia, ele poderá utilizar-se da sua arte para preparar as emoções do leitor para o clímax e o desfecho, equilibrando a quantidade de páginas e quadros – e suas intensidades visuais – para os momentos devidos.
Entender de roteiro é importantíssimo para interpretá-lo de maneira devida e, em certos casos, propor mudanças em prol da qualidade da história. Afinal, o desenhista não deve ser um “funcionário” passivo no processo e sim um co-autor.
O desenhista que sabe letrar e balonar saberá deixar espaços “mortos” em lugares estratégicos para que o texto não entre em conflito com a arte e para que a ordem de leitura não fique confusa.
Compor bem uma página e entender de narrativa são aspectos fundamentais nos quadrinhos. Apenas com esses conhecimentos o desenhista saberá escolher o quadro dominante da página e compor os outros no tamanho e formato adequados em prol da fluidez da leitura. O uso ou não do requadro (a moldura do quadrinho) também será decidido por conta desses conhecimentos. Compor bem uma página tem muito a ver com compor uma música. Uma página de quadrinhos tem um ritmo de leitura que depende do timing da narrativa. O desenhista pode modificar este ritmo variando a quantidade e os tamanhos dos quadros, o tamanho das sarjetas (espaço vazio entre os quadros) e escolhendo transições quadro-a-quadro funcionais de acordo com o que a história pedir.
Já o desenhista que faz quadrinhos não se preocupa com essas coisas. Muitas vezes, ele nem estuda esses tópicos e se preocupa apenas em ser um expert em anatomia, perspectiva e luz e sombra. Não quero dizer que essas coisas não tenham a sua importância. Claro que tem. Afinal, quem não gosta de ver um desenho bonito, bem acabado? Porém, a arte sequencial está além disso. E digo mais, não depende disso. Defendo, inclusive, a ideia de que para fazer quadrinhos de qualidade não seja necessário saber desenhar bem. Ou fotonovela não é quadrinho?
Mas isso pode ser assunto para uma próxima coluna.
Daniel Brandão foi aluno na Joe Kubert School, dá aulas de quadrinhos e preenche os poucos espaços vazios de sua agenda produzindo HQs. Ou seria a Liz?






Realmente há uma diferença muito grande entre desenhista que fazem quadrinhos e quadrinista, e o bom é que um bom profissional desta área que é a de desenho como um todo deve ter conhecimento de ambas as partes, pois o que se diria de um quadrinhos ( HQ, manga ) sem um bom roteiro, historia, letras e desenhos, luz, sombra e perspectiva; então como desenhistas proponho que devemos ter estes conhecimento como um todo.
sem mais até a próxima.
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Convém tomar cuidado com o “efeito pavão”. Pois o valor da obra só tende a crescer, quando a beleza do desenho é uma com a eficiência da narrativa.
Os virtuosos podem aprender narrar visualmente e, ao mesmo tempo, obter superfícies ainda mais impressionantes.
Como exemplos, penso em quadros de pintores tais quais Ingres, Veermer e Caravaggio. Além de algumas páginas de quadrinhos de Pierre Frisano, Paolo Serpieri, Hal Foster, Alex Ross e outros. Todos esses executam superfícies compatíveis a propósitos dignamente estético/narrativos.
Talvez você possa ser um desses. Boa sorte!
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Boa Tarde Daniel !! tenho um projeto para a confecção que eu trabalho, para que possamos produzir camisetas com estampas em quadrinhos, como a pagina de um gibi, e para que eu possa desenvolver esse projeto gostaria de ter contato com pessoas da area ( roteirista e quadrinista ) ou se vc poderia executar esse trabalho,nós temos uma marca que é OUT HEADS E LOCOÉPOCO , gostaria de criar uma historia de 3 amigos que apronta todas, com a OUT HEADS E LOCOÉPOCO seria um outro projeto, aguardo contato @locoepoco.com.br">carlos@locoepoco.com.br um abraço
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