Você é brasileiro? Então deve gostar de futebol! Mas, se está lendo este artigo, talvez também goste de quadrinhos. Não é fácil encontrar quem seja fã das duas coisas. Quadrinhos ou futebol? Escolha logo! Lembrando que, se decidir pelas HQs, correrá o risco de ser expatriado.
Em tese, divertir-se com quadrinhos não impede ninguém de admirar um esporte. Porém não são muitos os autores de HQs que cometem o descaramento de torcer tanto pelo time A do estado B como de torcer pelo herói X da editora Y. Bem, eles não são muitos, mas estão aí! Alguns desses transgressores, depois de suar em cima de suas pranchetas, até vão aos estádios. E há quem vá além, trazendo, dessa viagem, o futebol para o universo das histórias em quadrinhos.
Se você for um leitor inveterado, eu apostaria uma grana (pouca, é verdade) como já pensou em um exemplo. Uma história onde se viu os seguintes componentes: Um campinho, alguns personagens usando uniformes (sem capa) e, por fim, uma “pelada” que não era a Druuna.
Quer saber do que mais: Eu até apostaria mais uma grana (bem, bem pouquinha) como você, fã de bola ou não, gostaria de pelo menos alguns dos ainda raros momentos em que chuteiras foram calçadas num gibi.
Digo isso porque os “momentos futebolísticos” vistos em quadrinhos assumiram muitas formas… Tem pra todos os gostos!
Há narrativas cujo foco recai sobre os campos. Nessas os protagonistas são jogadores, técnicos e outros membros do time. Os dilemas vividos pelos personagens estão diretamente ligados aos jogos e tudo que é intrínseco ao esporte. Os conflitos podem ir da superação de uma lesão até a conquista de uma taça.
Não esqueçamos das histórias passadas fora dos gramados. Vividas por personagens que, torcedores ou leigos em jogos, têm a vida influenciada pelo mundo da bola. Imagine um personagem fanático que decide fazer uma aposta absurda contra o próprio time! Apenas porque dispõe de uma informação que dá por certa a derrota do seu clube. Que traição, heim! Pense em outra situação, na qual o placar de uma partida determinará se o criminoso dará cabo ou não do delegado corrupto. Policial que numa súbita e inesperada crise de consciência inspirada por um jogador, delatara os comparsas da máfia.
O futebol pode muito bem funcionar para articular ações que, à primeira vista, nada têm em comum com o esporte.
Por fim chamo sua atenção para as HQs onde um rachinha aparece apenas ao fundo, em meio a vários outros elementos de ambientação. Um personagem figurante que passa ao lado dos protagonistas, vestindo a camisa do time tal, é uma referência clara de como o futebol está ligado aos quadrinhos.
Isso porque o jogo de origem inglesa é uma manifestação valorizada pela mídia mundial e pelo público formado de milhões e, arrisco dizer, bilhões de pessoas! Faz parte da cultura global… (pensei numas piadinhas com o nome Rede Globo, mas vou poupá-lo disso).
Enfim, como leitor de quadrinhos e brasileiro torço para que mais histórias em quadrinhos, ao menos aquelas publicadas neste país, possam aproveitar o potencial adormecido desse tema. Afinal, qualquer menção ao universo futebolístico, por mais rasteira que seja, remete à identidade de nosso povo. Fazer quadrinhos para brasileiros e ignorar por completo uma manifestação tão valorizada como o futebol é deixar de marcar gol em final de copa do mundo.
Rodapé – Alguns dos quadrinhos que romperam o preconceito e trouxeram uma paixão nacional para o mundo bidimensional foram: Linha de Ataque; Dez na Área Um na Banheira e Ninguém no Gol. Também inspirou esse artigo as muitas atuações do Vila Xurupita Futebol Clube nas aventuras do brasileiríssimo Zé Carioca. Outros exemplos não cito por ter memória fraca e preguiça de pesquisar, mas eles existem!
Diêgo Silveira – Jornalista, Quadrinista, Integrante da Nova Geração da Oficina de Quadrinhos da UFC. Grande apreciador dos dotes artísticos da atriz Megan Fox, mas preferia que ela fizesse mais filmes não-nerds.






Os japoneses conseguiram com sucesso falar sobre futebol nos mangás e animes. Alguns bons exemplos são “Captain Tsubasa”, “Whistle!” e “Hungry Heart Wild Striker”. Cada um deles com estilos, temáticas e até exageros em alguns momentos. Ótimas histórias que realmente nos fazem pensar o porquê de continuarem lançando álbuns de figurinhas do Campeonato Brasileiro todo ano aqui no Brasil e pouquíssimo material em quadrinhos (ultimamente tenho visto apenas as revistas especiais do Ziraldo) sobre futebol. Público nós temos. O que não temos é a cultura da compra (comprar mesmo, no sentido de colecionar, acompanhar e não apenas ser um leitor casual) de quadrinhos nacionais que não sejam da Turma da Mônica. Mas, certamente, isso não é culpa do Maurício de Sousa e muito menos dos nossos artistas.
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Excelente texto, Diego! E boa lembrança do Rafael ao lembrar os clássicos futebolísticos dos mangás:)
Que tal um texto sobre fanzines?
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4 de dezembro 16horas reunião do Furum de quadrinhos do Ceará. Vicês estão convidados para deliberar sobre novos espaços e opções para os quadrinhos no estado e para trocar idéias sobre as próximas ações do grupo que representa a comunidade de quadrinhos junto ao poder público no Ceará.
Dia 04 de dezembro. 16 horas na Gibiteca de Fortaleza! EStão todos convidados!
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Concordo contigo, Raphael.
João, valeu pela força de sempre! Você não pegou a Xuxa, não foi ministro, nem é chamado de rei, mas também é dez!!
E aos amigos do HQCast, saibam que pra mim é um honra publicar em veículo tão competente!
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