Rio Comicon 2010 – Dia 1

por Caetano Neto
em 13 de novembro de 2010
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Acho que vocês sabem que não conseguimos ir para Rio Comicon de 2010, mas na cara dura pedimos ao Daniel Brandão que nos representasse e tentasse conversar com os autores de quadrinhos em nome do Hcast. Segue o primeiro dia presenciado pelo nosso enviado Daniel Brandão.

Dia 12/11

Ansioso, cheguei à Estação Leopoldina às 12:20. O evento só abriria às 13:00. Já me encantei com a estação. Um lugar de arquitetura antiga, clássica e muito imponente. Na entrada, além da logo da Rio Comicon, haviam paineis com desenhos e páginas do Manara, Melinda Gebbie, Kevin O’Neill, Patricia Breccia, Etienne Davodeau, Lucas Nine e Killoffer. Tudo muito bonito.

Assim que a bilheteria abriu comprei logo ingressos para os próximos três dias. Na fila, encontrei minha amiga e colega de trabalho Júlia Pinto, que já estava no Rio desde o início da Rio Comicon.

As portas abriram e fomos imediatamente nos inscrever nas palestras do dia. Depois fui degustar as exposições. E o cardápio estava farto e eclético. Entre brasileiros e estrangeiros, eu pude admirar artes de Fábio Moon, Gabriel Bá, Lourenço Mutarelli, Kevin O’Neill, Killofer, Grampá, Rafa Coutinho, dentre outros.

Porém, a grande exposição, a cobertura do bolo estava em uma sala especial, meio misteriosa, cuja porta tinha um formato de fechadura. Lá estavam originais do genial Milo Manara. Simplesmente IMPRESSIONANTE! Lindo. Os originais dele são grandes. Maiores que um A3. Alguns são maiores que um A2. Vi páginas que ele fez em formato de tiras. Muitas aquarelas. Verdadeiras obras de arte!

As 14:00, Júlia e eu fomos ao auditório e assistimos a um trecho de uma entrevista em vídeo com a Melinda Gebbie. Logo depois, o local lotou, pois começou a palestra QUADRINHOS AUTOBIOGRÁFICOS com Angeli, Laertevestido de mulher, praticando o que ele chama de “crossdressing” – , Ota e, como convidado especial, Caeto, o autor de Memória de Elefante.

Durante a palestra/entrevista esses mestres destilaram suas loucuras geniais (ou seriam seus gênios loucos?). A coragem desses caras é impressionante. Eles se desnudaram por completo e chegou uma hora que o auditório virou um lugar de análise e a mesa onde eles estavam virou um divã. Mais do que engraçados, eles demonstraram ser pessoas complexas em eterna transformação. Eles não se conformam. Eles fazem questão de se reinventar, pois como disse Angeli: “a humanidade caminha”.

Algumas pérolas da palestra:
“Adoro matar personagens. Me sinto muito bem com isso.” (Angeli)

Rio Comicon 2010 - Angeli

Rio Comicon 2010 - Angeli


“Meu limite é o meu medo. Aquilo que projeto e vira uma hipotética reação do leitor ou de pessoas queridas.” (Laerte)
Rio Comicon 2010 - Laerte

Rio Comicon 2010 - Laerte


“Faço questão de ter total controle editorial sobre tudo que faço, em todas as mídias.” (Ota)
Rio Comicon 2010 - Ota

Rio Comicon 2010 - Ota


“A cena da queda no cemitério resume todo o meu período de muita bebedeira” (Caeto)

Depois, fui curtir o evento, encontrar pessoas legais, distribuir meu portfólio, pegar autógrafos e tirar fotos. Visitei os estandes e a loja de quadrinhos que estava lá. Aliás, o ponto negativo da Rio Comicon é a ausência de mais lojas e estandes de editoras. Lá só haviam estandes de artistas, um da Panini – muito pequeno -, e um da Barba Negra.

Por lá, encontrei os irmãos Bá e Moon, Gustavo Duarte e Rafael Grampá. Todos estavam no estande FODA. Comprei muitas revistas bacanas (Atelier, Taxi e o B.P.R.D.). Encontrei também a Milena Azevedo, de Natal, o grande Sidão, Cassius Medauar, André Diniz, Lourenço Mutarelli, Marisa Furtado (diretora do documentário Profissão Cartunista Will Eisner e curadora de vídeos do evento) e Kevin O´Neill. Todos muitos simpáticos e generosos. Além, é claro, de muitos visitantes bacanas e artistas muito legais e promissores. Ganhei alguns zines e revistas como Ato 5 (André Diniz e José Aguiar), Ilações de Ila Fox, O Fim está Próximo, Uma Patada com Carinho, Editorial e o Informativo do Quarto Mundo.

Rio Comicon 2010 - Kevin O'Neil e Daniel Brandão

Rio Comicon 2010 - Kevin O'Neil e Daniel Brandão


Acho que o encontro com o Kevin O´Neill vale um registro. Ele é muito simples e, antes da sua palestra, ele estava zanzando pelo evento. Cruzei com ele e resolvi falar, entregar meu portfólio e tirar uma foto. Ele foi muito atencioso, conversou e teve toda a paciência do mundo. Mais um exemplo de artista consagrado, que não perde a humildade e a simplicidade.

Rio Comicon 2010 - Melinda Gebbie

Rio Comicon 2010 - Melinda Gebbie


O dia terminou com a palestra/entrevista sobre QUADRINHOS INGLESES, com Kevin O´Neill e Melinda Gebbie. Eu já estava bem cansado, mas valeu a pena chegar até aquele momento. Foi muito bacana saber que aqueles artistas, que hoje são parceiros do Alan Moore, começaram com Fanzines e Revistas Independentes. E a grande lição que ambos deixaram foi: faça quadrinhos que vocês acreditam. Não se dobre ao mercado. Não tente forçar uma barra e adequar seu trabalho para além do limite das suas convicções. Se seu trabalho for autêntico, você encontrará leitores.

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Esse post foi publicado de sábado, 13 de novembro de 2010 às 10:49, e arquivado em Notícias. Você pode acompanhar os comentários desse post através do feed RSS 2.0. Você pode comentar ou mandar um trackback do seu site pra cá.

5 comentários para “Rio Comicon 2010 – Dia 1”

  1. simplificando semelhanças entre artistas…em alguns casos, o grande obejetivo de alguns artistas profissioais é lutar para conquistar a liberdade de apenas desenhar o que gosta…rs…porque viver de quadrinhos é como viver para os quadrinhos,não tem outra saida…rs
    e isso confunde muitos artistas que estão começando, como o Daniel falou, não se dobrar ao mercado e desenhar o que acredita, porque a grande indentidade do artista é seu traço, é ele que vai te apresentar, é por ele que você vai ser reconhecido, e esta pesonalidade no traço é o que o mercado realmente valoriza, e arte valorizada é = reconhecimento= dinheiro, yates, mulheres…ahahahah (pica-Pau)…alem da grande vitoria pessoal, que é você esta em um mercado realmenet concorrido no mundo inteiro e cheio de artistas diefrenets e vocÊ ser reconhecido pelos eu traço e trabalho em varias partes do mundo, que de alguma forma estara sempre marcado na historia…e isso ja te faz quase um Highlander…srsrs, e o mais legal é que tudo isso depende realmente 90% do artista, o resto é sorte…(agencias, agentes, empresas, editoras..etc..etc…que te ajudam, te mostram caminhso e tal, mas na pratica so depende do artista)
    alem de lapiz e papel e uma mente louca de ideias prestes a explodir!!!e o princial ingrediente para se manter isso..a fé!!se você acredita no seu trabalho, a fé sempre vai te motivar e vai dar tudo certo…rsrs..parece simples né…ahahahahah…bem, deixa eu voltar pra prancheta, porque é preciso muita fé para trabalhar com o Garth Ennis..Deus! tomara que minha mulher não veja o que estou desenhando…aahahah!

    abraço galera

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  2. JJ Marreiro disse:

    CADÊ AS FOTOS, MEU POVO??? SÓ Uminha, PUFAVÔ!!! Posta AêÊÊ!!!

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  3. JJ Marreiro disse:

    Ah! Eu esqueci de dizer que o texto do Daniel ficou fantástico! Ficou tipo um “previously on LOST”! E a conclusão do texto bem pra cima sem medo de ser feliz!

    PArabéns, Daniel. E congratulações à turma do HCast pela parceria:) Virou uma cobertura exclusiva feita por um cara que não só entende , mas faz quadrinhos. CObertura com esse ponto de vista acho difícil ver noutro canto:)

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  4. JJ Marreiro disse:

    Valeu pelas fotos turma…Ainda bem que a Melinda Gabbe não depende de sua imagem para pagar as contas porque ela tá na concorrencia com a Pepê e Nenê ali ó, cabeça com cabeça.
    Ô diabinha desabunitada!

    E tomara que o Kevin Oneil aproveite o Rio pra pegar um solzinho porque na situação dele tá dando vexame pras amebas.

    Não falo nada do Laerte! Se alguém aí já leu as tiras dele sabe que se alguém pode qualquer coisa esse alguém é o Laerte! Além do mais vestir-se de mulher não é contra a lei. Vai Laerte, defenda Tókio!!!!

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  5. Primeiro, gostaria de agradecer ao JJ Marreiro que, ainda ontem (quem diria que eu algum dia teria uma aula com ele!) me deu a dica destes feedbacks do meu professor, o mestre Daniel Brandão, sobre a Rio Comic Con!

    AGORA: pô, me deu foi inveja! Aposto que o Daniel e Júlia curtiram mais do que os textos demonstram, até. Muito curioso o lance dos desenhos gigantes do Manara! Gostaria de ter ouvido, especialmente o Angeli, Ota e Laerte, além é claro, do Kevin O’Neil. E, putz a lição deixada no final fica como o maior dos incentivos pros fãs e amadores como eu.
    E que venham mais eventos!

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